Quanto custa um empregado doméstico por mês

A maioria dos empregadores calcula só o salário — e é exatamente aí que o susto aparece no fim do ano.

Quanto custa um empregado doméstico é uma das dúvidas mais comuns de quem contrata — e uma das mais subestimadas. O erro mais frequente é simples: o empregador olha só para o salário combinado e esquece os encargos obrigatórios que correm por fora.

Resultado? Surpresa com a DAE no mês seguinte — porque quanto custa um empregado doméstico vai além do salário que o empregador combina.

Neste post, você vai entender de forma prática o que compõe esse custo, como calcular cada parte e como se planejar para não ser pego de surpresa.


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Este conteúdo considera a relação já enquadrada como emprego doméstico nos termos da LC 150/2015. Se você ainda tem dúvida sobre quem é considerado doméstico pela lei, consulte primeiro: Empregado doméstico: quem é, quando registrar e quais os direitos

Salário pago x custo total: quanto custa um empregado doméstico na prática

Quando se fala em quanto custa um empregado doméstico, é essencial separar dois valores que muita gente confunde:

  • o valor que o empregado recebe no bolso (salário líquido)
  • o valor total que o empregador desembolsa (salário + encargos)

O salário é apenas uma parte do custo. Os encargos obrigatórios são calculados e recolhidos automaticamente pelo eSocial Doméstico através da DAE — Documento de Arrecadação do eSocial — e compõem o custo real da contratação.

Esse é um dos pontos mais mal compreendidos: o empregador paga o DAE achando que é só imposto do empregado, quando na verdade ele reúne tanto os descontos do trabalhador quanto os encargos que são de responsabilidade exclusiva do empregador. Todos esses valores são calculados pelo eSocial Doméstico e compõem o custo real da contratação.


Exemplo prático: quanto custa um empregado doméstico com salário de R$ 2.000,00

Valores do empregado doméstico

DescriçãoValor (R$)
Salário bruto2.000,00
INSS do empregado (tabela progressiva)155,69
Salário líquido recebido1.844,31

Cálculo do INSS do empregado (tabela vigente)

Faixa salarialAlíquotaValor (R$)
Até R$ 1.621,007,5%121,58
Sobre R$ 379,009%34,11
Total de INSS do empregado—155,69

Encargos recolhidos na DAE

EncargoPercentualValor (R$)
INSS do empregador8%160,00
INSS do empregado (desconto)—155,69
FGTS mensal8%160,00
FGTS compensatório3,2%64,00
Seguro contra acidente de trabalho0,8%16,00
Total da DAE—555,69

Na minha experiência de mais de 30 anos em RH, quem contrata uma empregada costuma fazer a conta só com o salário. O susto vem no primeiro DAE. Por isso, antes de fechar o valor com a empregada, faça a conta completa: salário, encargos, férias e 13º. É isso que mostra se o orçamento da casa comporta a contratação.

Leia também: Custos extras do empregado doméstico: o que impacta de verdade

Adicional noturno, vale-transporte acima do limite e aviso-prévio podem pesar mais que o salário combinado — veja quando isso acontece.


O que é o FGTS compensatório de 3,2%? Esse percentual substitui, no emprego doméstico, a multa de 40% do FGTS: é uma reserva mensal que o empregador deposita para indenizar a empregada se ela for dispensada sem justa causa (LC 150/2015, art. 22). Na prática, o empregador recolhe mensalmente esse valor como uma reserva — e ele fica depositado numa conta vinculada separada da conta do FGTS de 8%. Se o empregado for dispensado sem justa causa, os 3,2% mensais acumulados funcionam como parte da indenização. Não recolher corretamente esse percentual gera inconsistência no eSocial e pode comprometer a rescisão contratual.

Leia também: FGTS do empregado doméstico: o que impacta folha, férias e rescisão no eSocial

O FGTS é um dos custos que mais surpreende o empregador — especialmente na rescisão, quando os 8% mensais e os 3,2% indenizatórios aparecem juntos na conta.


Custo real para o empregador doméstico

Composição do custoValor (R$)
Salário bruto2.000,00
Encargos efetivos de responsabilidade do empregador400,00
Custo total mensal2.400,00

Atenção: parte da DAE corresponde ao desconto do empregado (INSS). Parte corresponde ao custo efetivo do empregador (INSS patronal, FGTS, FGTS compensatório e seguro). O total da DAE é maior que o custo do empregador, porque inclui as duas partes.


Erros reais que o empregador doméstico comete — e o risco de cada um

Esse é um dos temas em que o erro prático é mais comum — e o custo de errar pode ser alto. Dois erros se repetem com frequência:

Erro 1: não recolher o FGTS compensatório de 3,2%

Alguns empregadores, ao configurar a folha no eSocial, entendem que o FGTS de 8% é suficiente e não identificam o percentual complementar de 3,2%. Isso gera inconsistência no cálculo da rescisão e pode resultar em passivo trabalhista no momento do desligamento.

Erro 2: não provisionar 13º e férias mensalmente

O empregador paga o salário mensal normalmente e não reserva nada para as obrigações anuais. Quando chega dezembro ou o mês de férias, o impacto financeiro é muito maior do que o esperado — especialmente porque sobre o 13º e as férias também incidem INSS e FGTS, elevando o custo real.

Esse é um dos erros mais comuns no empregador doméstico e pode gerar inconsistência no eSocial além de comprometer o planejamento financeiro da família.


Encargos sobre férias e 13º salário: quanto custa um empregado doméstico no ano

Os encargos não se limitam ao salário mensal. Férias, 13º salário e verbas rescisórias possuem incidências próprias de INSS, FGTS e outros encargos. O eSocial aplica essas incidências de acordo com cada verba informada na folha.

Férias: o custo do mês aumenta por causa do 1/3

Um erro comum é achar que as férias são simplesmente um salário pago em outro momento. Na prática, o empregador paga a remuneração do período como férias — e o que realmente aumenta o custo é o adicional de 1/3 constitucional obrigatório, que não existiria num mês normal.

Em outras palavras: o salário do mês existe de qualquer forma, mas o 1/3 e seus reflexos nos encargos é o que pesa como custo adicional no mês de férias.

E o abono pecuniário (venda de 10 dias)?

Se o empregado optar por vender até 10 dias de férias, o empregador terá um desembolso maior no período: além da remuneração normal pelos dias trabalhados, haverá o pagamento do abono pecuniário. O abono possui tratamento próprio no eSocial e não sofre as mesmas incidências de INSS e FGTS das férias gozadas.

13º salário: é uma folha adicional no ano

Diferente das férias, o 13º salário é, sim, uma remuneração extra ao longo do ano. Ao calcular quanto custa um empregado doméstico de forma integral, o 13º precisa entrar como custo anual obrigatório — e deve ser provisionado mensalmente para não sobrecarregar o orçamento.


Provisionamento mensal: como planejar o custo real com salário de R$ 2.000,00

Para estimar o custo médio da contratação ao longo do ano, é importante considerar não apenas o salário e os encargos mensais, mas também o 13º salário, o adicional de 1/3 de férias e os encargos patronais correspondentes.

Exemplo com salário bruto de R$ 2.000,00:

DescriçãoValor mensal estimado
Salário brutoR$ 2.000,00
Encargos mensais do empregador (20%)R$ 400,00
Provisão do 13º salárioR$ 166,67
Encargos patronais sobre o 13ºR$ 33,33
Provisão do adicional de 1/3 das fériasR$ 55,56
Encargos patronais sobre o adicional de fériasR$ 11,11
Custo médio mensal estimadoR$ 2.666,67

Nesse exemplo, o custo mensal habitual é de R$ 2.400,00, mas o planejamento anual exige uma reserva adicional média de R$ 266,67 por mês.

O valor é uma estimativa simplificada para um empregado mensalista com remuneração fixa, sem horas extras, adicionais, vale-transporte ou outros custos variáveis. O desembolso efetivo varia conforme o mês, especialmente nos períodos de férias e pagamento do 13º salário.


Dúvidas comuns sobre quanto custa um empregado doméstico

Quanto custa manter uma empregada doméstica registrada por mês?

O custo depende do salário contratado e das despesas adicionais. Para uma empregada doméstica mensalista com salário bruto de R$ 2.000,00, os encargos obrigatórios de responsabilidade do empregador representam mais R$ 400,00 por mês, totalizando R$ 2.400,00.

Entretanto, para planejar o orçamento anual, também é necessário reservar valores para o 13º salário, o adicional de 1/3 de férias e os respectivos encargos patronais.

Nesse exemplo, o custo médio mensal estimado é de R$ 2.666,67, sem considerar vale-transporte, horas extras e outras despesas variáveis.

O INSS do empregado é um custo do empregador?

Não diretamente. O INSS do empregado é descontado do salário bruto do trabalhador. O empregador apenas recolhe esse valor junto com os demais encargos na DAE — mas quem arca com esse custo é o próprio empregado, via desconto em folha.

O FGTS compensatório vai para o empregado todo mês?

Não. Os 3,2% ficam guardados numa conta separada e só vão para a empregada na dispensa sem justa causa (ou por culpa do empregador). Na culpa recíproca, metade vai para ela e metade volta ao empregador. Nos casos de pedido de demissão, justa causa, término de contrato por prazo determinado, aposentadoria e falecimento, o valor é movimentado pelo empregador (LC 150/2015, art. 22, §§ 1º e 2º).

Se eu pagar salário acima do mínimo, os encargos mudam?

Os percentuais são os mesmos, mas os valores absolutos aumentam proporcionalmente. O INSS do empregado segue a tabela progressiva, então quanto maior o salário, maior a alíquota aplicada nas faixas superiores. O eSocial Doméstico calcula tudo automaticamente.


Resumo prático: quanto custa um empregado doméstico

Base legal: Lei Complementar nº 150/2015 | Portal eSocial Doméstico (gov.br)

O empregado recebe o salário líquido após o desconto do INSS

O INSS do empregado é descontado na folha e recolhido pelo empregador na DAE

O empregador arca com INSS patronal (8%), FGTS (8%), FGTS compensatório (3,2%) e seguro acidente (0,8%)

Férias e 13º também geram encargos — e precisam ser provisionados mensalmente

O FGTS compensatório de 3,2% é essencial para a rescisão — não recolher gera inconsistência no eSocial


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